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22 de jan. de 2014

A palavra e o tempo de Euclides Neto é tema de livro lançado pela UESC


“A palavra e o tempo, de Euclides Neto: um garimpeiro da identidade cultural grapiúna”, da professora Rita Lírio de Oliveira, é o mais recente lançamento da Editus – Editora da UESC. O livro é um estudo crítico-literário, precursor, sobre os processos de construção da identidade do homem da região cacaueira do sul da Bahia na linguagem utilizada por um dos mais importantes escritores da região.
A ensaista faz uma análise da narrativa ficcional do autor de “O tempo é chegado” (Editus, 2001), em diálogo com as referências do texto cultural “Dicionareco das roças de cacau e arredores” (Editus, 2002). Por meio deles, ela investiga os hibridismos da linguagem, a memória e o imaginário, construtos identitários presentes na obra euclidiana e que representam o contexto de servidão, revolta e lutas dos trabalhadores rurais nas roças de cacau na formação sociocultural grapiúna.
0Profa Rita Lirio Foto
Escritora Rita de Oliveira
Neste estudo, Rita Lírio mostra como a linguagem ultrapassa o aspecto meramente linguístico, e se afirma como produto histórico-cultural, constituído de acordo com a comunidade que a utiliza em seus diversos contextos e com as necessidades e experiências da vida em sociedade.
“A linguagem é considerada um dos fatores mais importantes para afirmar o caráter social da memória. Interagimos e construímos, a todo tempo, a nossa história por meio dela, retomando o passado e reconstruindo o presente. Nas obras de Euclides Neto, isso é muito forte”, destaca a autora.
O livro está disponível para compra na Livraria da Editus, localizada na Biblioteca Central da UESC. Pedidos podem ser feitos pelo e-mail livraria@uesc.br ou pelo telefone 73 3680-5240. Esta e outras obras da Editora podem ser conferidas no site http://www.uesc.br/editora. Mais novidades podem ser conferidas na página do Facebook “Editus – Editora da UESC”.
Mais sobre Euclides Neto
Para quem quer conhecer mais sobre a vida e obra do escritor, a Editus apresenta também, além do livro “O Tempo é chegado”, os livros “O Romance dos Excluídos: terra e política em Euclides Neto”, de Elieser César e “Literatura do Cacau: ficção, ideologia e realidade em Adonias Filho, Euclides Neto, James Amado e Jorge Amado”, de João Batista Cardoso. 
Fonte - Informe Ipiaú

1 de ago. de 2011

Pedagogia da Autonomia-Paulo Freire: Relato de um monitor de disciplina.



Por RAFAEL SANTOS-
 Aluno do III ano do ensino Médio. 
Colégio Modelo  de Ipiaú.
          
Ensinar é uma arte muito complexa, você trata com pessoas e para os professores, a partir daquele momento está se iniciando a vida de um futuro médico, advogado, esportista ou se não for bem orientado um político, bem, mas para se ensinar o professor, o mestre precisa saber como fazer para passar para o educando os saberes, mas não de forma repetitiva, não de forma automática, é muito complexo ensinar, eu estou iniciando minha carreira de futuro professor e me deparei com uma experiência muito importante, estar na sala de aula como observador e como aluno, não entendeu?

Eu explico, eu acompanhei o Professor Albione nas turmas de 1º e 2 º Ano no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, durante 1 semestre eu tive um gostinho do que me espera pela frente, fácil não é, mas também não é difícil, ser professor é uma coisa que exige acima de tudo Amor, pois você está ali para montar o caráter de muitas pessoas com formações diferentes, esse período me ajudou muito a reforçar minha vontade de ingressar na profissão de professor, eu conheci a Professora Amanda Gurgel e vi que ser professor também tem seus desafios, os salários baixos, mas a profissão também tem suas alegrias, a alegria de ver um aluno seu se tornar bem sucedido na vida e ver que ele se tornou alguém com caráter.

 Bom Para me ajudar nessa difícil missão de aprender a ensinar o meu Tutor o Professor Albione me recomendou o livro do Mestre Paulo Freire, o livro Pedagogia da Autonomia é a bíblia para o futuro educador, neste livro o autor nos mostra que ensinar é mais do que passar conhecimento, é mais do que só passar dever, é por isso que eu já me decidi usar este livro como meu guia nesta nova fase da minha vida.

Recomendo a vocês que querem ou não ser educadores a ler este Best Seller que já atingiu a marca de mais de 1 Milhão de exemplares vendidos, Quero agradecer a meu tutor Professor Albione por me ajudar a ver que ensinar é muito mais do que eu imaginei, quero agradecer a oportunidade e dizer que estarei sempre pronto a ajudá-lo, Quero agradecer também a Diretora do Colégio Modelo a Professora Geo pela oportunidade e agradecer aos alunos do modelo que foram muito generosos e acolhedores, levarei a cada um de vocês na minha memória.

 E Por favor, Leiam este livro que é muito Bom!



11 de mai. de 2011

"SUSPIROS DE UMA ENXADA"


POR EUCLIDES NETO*

Levanto-me com os rubis do sol encastoados nos confins das eras, e a devoção humilde nos tempos bíblicos. É chegada a hora de abrir a cova das sementes que morrem para nascer. Se o bisturi lanceta a carne e evita o fim; se a caneta escreve os poemas, os romances e as partituras; se o computador é o cérebro do homem, tudo não existiria se os feijoeiros não florissem. Sou a lâmina que rasga o músculo da terra e cria a vida.


Sofro primeiro o ferrão envenenado do terrível jararacuçu, quando o roceiro o puxa aos pés para sacudir a terra e separar a erva...


Mas, envelheço e viro um desprezível cacumbu. Os ouros e platinas antigas são cobiçadas pelos museus, enquanto fico largada à toa na roça-meu ultimo repouso. O madeiro que me completa apodrece. Meu trabalho é eterno.


Já vergada e sega, passam-me a lima ráspida ou me batem na face com a pedra rude. Sou o espelho da lua e do sol quando nascem.
Os eruditos me desprezam. Sempre os perdoei. inda mato-lhes a fome. Lavro todos o livros do mundo e não me alimento dos seus  frutos.

Estou nos banquetes. Enfeito as jarras de cristal com as pétalas de richilieu que realças os faisões nas baixelas de prata. Em oferenda, levo os frutos da sobremesa. Plantei as jaqueiras centenárias. Até a champanha e licores que inebriam. Passam todos pelo beijo dos meus  lábios. Levo alegria, gargalhadas, inspiração aos músicos e poetas.

Não me queixo do destino. Em verdade, em verdade vos digo: o pão do pobre e o da hóstia consagrada (que se  transforma no corpo de Cristo) e a uva do vinho do seu sangue levam minhas lágrimas e suor.

Os poetas nunca me lavraram um canto. Rimam os passarinhos, as luas crescentes, as saudades, as flores, as dores, os albores e os amores. Mas sou símbolo do lavrador, que lavra a dor. Sou a palavra da terra.

Não chego a ser coroa cravejada de brilhantes. Nem aliança nupcial Nem adorno das rainhas. Nem medalha no peito dos heróis. Nem sobre o coração do Nobel da paz. Nem estatueta do Oscar. Nem pouso na vaidade dos comendadores. Em verdade vos digo: não vou de um caco de terra metido num pedaço de pau.
    
Não deixo o aroma de sândalo e mirra dos Reis Magos aos pés do menino. Em verdade vos digo: alimentei a família de José e Maria com o trigo que plantei. Meu perfume é o suor dos negros nos eitos.

Não planto as metralhadoras nas trincheiras. Planto a rosa, o jasmineiro, o manacá, a flor do feijoeiro. Não planto  FOME. Carpi-la é o meu ofício. Não toco a música dos violeiros. Acompanho os acordes dos canarinhos- terra das amanhecenças. Não tenho os candelabros de ouro que iluminam os anfiteatros de veludo. O Sol e a Lua é que me enfeitam os salões verdes dos milharaes, e riscam partituras do chão.

Não vou esquiar Alpes gelados nos pés de princesas. Prefiro as mãos de rocha dos descalços. Não sirvo de brinquedos para os meninos dos palácios. Mas as criancinhas  que mal começam  a andar na roça pegam a enxadinha gasta da avó e saímos  traquinando. E a avô ralha comovido: menininha, é cedo para a labuta, teu tempo chega.

A debutante não me leva aos bailes da corte. Mas a menina da fazenda, antes da primeira lua, me ama tanto que sua mamãe me esconde para não fugirmoa à horta sob a pureza das noites azuladas.

Quando virar uma lágrima de aço enferrujado, num canto da roça ou no oitão da casa de taipa, não quero que me sejam gratos – ó gente de pouca fé. Rogo que cantem uma oração para que eu possa adormecer em paz e voltar ao pó da madre, que tanto  amei.

Alimento todos os homens: Santos, operários, reis generais, heróis, eruditos, criminosos no fundo das prisões, prostituta. E nunca pergunto quem vou alimentar.

* EUCLIDES NETO. 
ESCRITOR, ADVOGADO E POLÍTICO, 
NOS DEIXOU IMPORTANTES LEGADOS 
COMO ESTA OBRA PRIMA, SUSPIROS 
DE UMA ENXADA.
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