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14 de nov. de 2011

ZUMBI DE PALMARES, HERÓI NEGRO DANDO O SEU RECADO DE LIBERDADE COM BRAVURA, SEM MEDO.


    Por Jorge Garrido - Professor de História

                           

Zumbi teve uma infância comum
Como a de outras crianças foi igual
Ele como criança brincou
Em adulto é que foi excepcional
Foi um grande soldado
Em Palmares foi general

Era tempo duro
Tempo de escravidão
Foi preciso resistir
Lutar contra a humilhação
Palmares é símbolo da luta
Do negro contra a opressão

O escravo trabalhava muito
Não comia quase nada
Vida difícil, muito dura
Qualquer vacilo, era chibatada
Palmares representou um marco
Contra a opressão  implementada

O açúcar doce por natureza
Era para os escravos bem amargo
A luta se fazia muito necessária
Pois negro também gosta de afago
É igual a todos os humanos
A escravidão era desumano fardo

No final do século XVI
Surgiu o Quilombo de Palmares
Então houve muita resistência
Negro respirava novos ares
Estava criado um novo espaço
Onde escravos fugidos tinham novos lares

Ganga Zumba foi o principal líder
Até aceitar acordo com rei português
Foi então traído e assassinado
Zumbi passou a ser a liderança da vez
Grande estrategista militar
Lutando dia a dia, mês a mês


Palmares cresceu
Estava organizado
O governo português
Estava incomodado
Tinha que destruir
O exemplo que era dado

Zumbi era diferente
Não queria trato
Queria negro livre
E não visto como rato
Não havia outra possibilidade
Só servia construir esse fato

A única palavra
Era LIBERTAÇÃO
Fora disso
Não havia opção
Era o seu desejo
A sua determinação

O rei de Portugal chamou
Para o combate os bandeirantes
Domingos Jorge Velho liderava
Pensava destruir Palmares num instante
Mas o páreo era duro, muito duro
Zumbi era inimigo muito importante

A luta foi feroz, luta tenaz
Difícil,dura, incrível
Os bandeirantes conseguiram
Um feito quase impossível
Destruíram totalmente Palmares
Em um combate indescritível

Palmares, o Quilombo
Com a capital na Serra da Barriga
Foi valente , foi muito forte
O contrário não há quem diga
Hoje é exemplo de resistência
De quem faz a boa luta, a boa briga


ZUMBI conseguiu escapar
Estava se reorganizando
Para ele a liberdade era a meta
Mas o outro lado estava atuando
Foi traído, vejam vocês
Sua morte acabou chegando

A data era 20 de novembro de 1695
Hoje dia da consciência negra ,guarde bem
A justa luta contra toda opressão
É conseqüência desse fato também
Morreu o homem, nasceu  o mito
Esse é um orgulho que o povo negro tem



10 de out. de 2011

CHE GUEVARA: SÍMBOLO DA LUTA CONTRA O CAPITALISMO NA AMÉRICA LATINA


"Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros."

Ernesto Rafael Guevara de La Serna, mais conhecido como Che Guevara, foi um revolucionário socialista do século XX. Argentino, nasceu na cidade de Rosário em 14 de junho de 1928. Faleceu em 9 de outubro de 1967, na aldeia de La Higuera (Bolívia).







22 de ago. de 2011

LEON TROTSKY: UMA VIDA INTEIRA PELO SOCIALISMO !

Leon Trotsky

Em 20 de agosto de 1940, morre Leon Trotsky. Assassinado no México   por Stalin, Leon Trotsky foi líder dos sovietes, da revolução russa e do exército vermelho.
Após 71 anos de sua morte, sua obra continua viva no coração e mente de milhares de revolucionários que lutam por uma outra sociedade em todo o mundo! Viva Leon Trotsky, Viva a IV Internacional! Leon Trotsky, presente!

“CHE GUEVARA, UM HOMEM, UM MITO, UMA VERDADE QUE NÃO OMITO...”




AUTOR: PROF.JORGE GARRIDO


Em 14 de junho de 1928
Na cidade de Rosário, Argentina
Nasceu Ernesto, “Che” no futuro
Um transformador da América Latina
Um lutador, que nunca foi omisso
Vendo injustiça em qualquer esquina
Filho mais velho do casal
Teve desde cedo a politização
Sendo trabalhada por sua mãe
Responsável por sua educação
Nos primeiros tempos, moldou
Firmemente a sua formação
Desde muito pequeno
Ataques de asma sofria
Esse menino não se entregava
Com coragem a doença ele combatia
Quando crescesse outras batalhas
À espreita o aguardaria

Aos 12 anos mudou-se para Córdoba
Morou próximo de favelados
Ernesto foi vendo essa realidade
Ficou amigo de muitos desses injustiçados
Aos poucos ele ia percebendo um mundo
Que precisava ver transformado
A biblioteca de sua casa
+ ou -300 livros possuía
Obras de Marx, Lênin, Engels
E o jovem Ernesto as lia
Na adolescência, o revolucionário
Paulatinamente se esculpia
Em 1947, entra na faculdade
De que? De medicina
Esse menino nascido, em Rosário
No país vizinho, a Argentina
Seria especializado em lepra
Mas cuidar do social era a sua sina

Ele ainda não sabia, foi até
Rejeitado no serviço militar
Algumas histórias existem
Queria a sua luta lutar
E não ser soldado
De um só lugar
Enfim contam histórias
Assim é a construção do mito
A história real parece ficção
Por isso aqui evito
Estabelecer polêmicas sobre “Che”
Afinal o essencial eu não omito
Falemos desse homem
Que quer queiram ou não
Lutou, buscou outra realidade
Foi atrás da transformação
Por ela deu a vida
Deu a vida pela revolução

Em 1952, faz uma grande excursão
Deu até em filme de cinema
História linda e comovente
De um jovem que assumiu um lema
O mundo mudaria, ele ajudaria nisso
Essa seria sua grande teima
Circulou 10.00km em uma moto
Conheceu mais sobre a América Latina
Essa viagem, sem sombra de dúvidas
Muito, bastante mesmo, o ensina
Ele fica com uma certeza, impor a derrota
A quem maltrate, a quem oprima
Foram oito meses
De puro aprendizado
Dali saiu um sujeito
Diferentemente moldado
Fronteiras??Não existiam...
O mundo seria mudado

O médico especialista em lepra
Não trabalharia em consultório
Cuidaria de chagas sociais
Esse foi seu diferencial notório
Trocou o bisturi pela arma de fogo
O combate ao inimigo não seria transitório
Pois quem abusa do poder
Onde quer que estivesse
Precisava ser derrubado
Desse no que desse
Mundo socialista
É o melhor que se conhece
Esteve na Bolívia, Guatemala
Foi apresentado ao irmão de Fidel Castro
Isso já no México estava tudo caminhando
Estava se formando o lastro
Dali em diante se faria uma amizade
que daria o que falar
Para muitos capitalistas irritados serviria de pasto

Em 25 de novembro de 1956
Em Sierra Maestra desembarcaram
Dali o exército vitorioso
Eles comandaram
Ao ditador Fulgencio Baptista
Derrubaram
Che tornou-se cidadão cubano
Mas Che queria o mundo transformado
Partiu para outras empreitadas
Combateu em mais três guerrilhas, foi derrotado
Na Bolívia, em 1967, aos 39 anos
Foi preso e assassinado
O exército boliviano
Foi quem executou
O governo dos Estados Unidos
Foi quem ordenou
Morreu o homem
O mito ficou

Amputaram-lhes as mãos
Muita confusão
Só trinta anos depois
Identificado o líder de uma revolução
Hoje sua imagem
Está servindo de grande inspiração
Che foi homem
Isso é inegável
Diferente, com certeza
Queria justiça, confiável
Quem o quer destruir
Fala cada coisa inimaginável
Enquanto isso temos um mundo
De pernas para o ar
Um xerife do planeta
Em todos querendo(?) mandar
Um louco dizendo que é socialista
Che é quem pode nos inspirar

Frases de ”Che”
“Os poderosos podem matar uma,
Duas rosas até três rosas,mas
Não deterá o jardim”coisa alguma
Até porque o jardim está sendo sempre
Replantado e com isso não pode força alguma
“Há que endurecer-se, mas
Sem jamais perder a ternura”
Essa é uma frase que contém
Dureza necessária, e também doçura
Aliás, como é uma iguaria nordestina
A nossa maravilhosa rapadura
“O verdadeiro revolucionário é guiado por grande
Sentimentos autênticos de generosidade...”
não dá pra entender um revolucionário de fato
sem amor, sem solidariedade
sem querer bem , sem chegar junto
sem verdadeira amizade

“Che” exerceu cargos
No governo cubano
Deixei isso de lado
Quis dizer como ano a ano
Ele ainda é lembrado
Por ter sido um diferenciado ser humano
Jean Paul-Sartre disse de Che:
“Mais completo ser humano de nossa era” pois então
O que falar sobre tal comentário??
Apenas dizer que Che foi um gerador de transformação
Que foi um homem que se entregou totalmente
Ao ideal da mudança, da revolução

TÍTULOS DO AUTOR
01- A Revolução Francesa
02- Egito Antigo
03- Grandes Navegações
04- Primeira Guerra Mundial
05- Segunda Guerra Mundial
06- Revolução Russa
07- Início da Colonização do Brasil
08- Independência do Brasil
09- História do Município de Lauro de Freitas
10- Zumbi dos Palmares
11- Che Guevara

DADOS BIOGRÁFICOS DO AUTOR
(71) 8189-0666 / 3313-0513 - jorge.garrido@ig.com.br
Jorge Garrido de Oliveira nasceu em Salvador,
na Rede Estadual, na capital, de História, é Professor
Quem o procura, o acha, com toda certeza,
na Cidade Baixa
(TODOS HISTÓRICOS)

30 de jul. de 2011

O casamento de padres sempre foi proibido. FALSO!

por Olivier Tosseri -  jornalista

Até o século X, nada impedia os padres de ter relações amorosas


Jesus Cristo jamais proferiu algo contrário ao casamento de religiosos, e alguns de seus apóstolos tiveram esposas e filhos. O judaísmo, crença da qual se originou o cristianismo, não impunha o celibato aos rabinos. Logo, a Igreja Católica também passou um longo tempo considerando aceitável a ordenação de homens casados.

Uma das primeiras tentativas de imposição do celibato aos padres fracassou no Concílio de Niceia, no ano 325. A reunião só conseguiu proibir o casamento depois da ordenação. Ao que tudo indica, porém, nem mesmo essa cláusula foi respeitada rigorosamente, já que vários clérigos do período viviam com suas companheiras e resistiram à nova regra. No século IV, por exemplo, bispos como Gregório de Nazianzo e Gregório de Nissa eram casados, e 39 dos papas tiveram esposas e filhos, que chegaram, em alguns casos, a suceder os pais.

Essa situação começou a mudar com a ascensão de vários monges a cargos de importância na hierarquia eclesiástica. A multiplicação das decisões papais, concílios e sínodos de bispos em defesa da obrigatoriedade do celibato mostra que a força política desse grupo, praticante da renúncia aos prazeres mundanos, alterou bastante a estrutura de poder da Igreja.

A disputa entre opositores e defensores do celibato se acirrou no século X, quando o Império Carolíngio sucumbiu e a Igreja passou a enfrentar dificuldades para impor suas normas aos clérigos. O afastamento das questões espirituais, a prática da simonia (venda de bens sagrados e de benefícios eclesiásticos) e os casos de nicolaísmo (incontinência dos padres que se casam ou vivem em concubinato) se tornaram mais frequentes. Uma reforma era necessária.

Embora iniciada por Leão IX, foi o papa Gregório VII que emprestou seu nome à chamada “reforma gregoriana”. Esse movimento intensificou a crítica à incontinência dos religiosos e passou a valorizar um clero inteiramente voltado à sua tarefa, sem relações familiares que pudessem afastá-lo dos interesses espirituais ou levá-lo a usurpar bens da Igreja para benefício de seus parentes.

Em vários países, como Alemanha, França, Inglaterra e Espanha, essas decisões foram mal recebidas pelos clérigos locais, e o concubinato dos padres persistiu. No entanto, a população aderia cada vez mais às decisões papais e, ansiosa pela renovação de um clero corrupto e permissivo, rejeitava os religiosos que continuavam a ter uma amante ou a praticar atos condenáveis.

Assim, o desejo de um enquadramento melhor dos padres e de uma definição mais restrita de sua disciplina continuou a ganhar força. Os cânones dos concílios de Latrão II (1139), Latrão III (1179) e, finalmente, Latrão IV (1215) reiteraram a proibição ao concubinato dos padres e à ordenação de homens casados. Essas determinações têm sido rigorosamente aplicadas pela Igreja Católica até os dias atuais, a despeito do que fizeram os cristãos ortodoxos: para eles, a ordenação de homens casados continua sendo, a exemplo do que ocorria nos primeiros anos do cristianismo, uma prática perfeitamente aceitável.








22 de abr. de 2011

CALÍGULA, UM MALUCO NO PODER

O aspecto assustador e o desequilíbrio mental do terceiro imperador de Roma inspiravam medo e terror na população Caligula Caesar, gravura, artista da escola italiana, 1596
                 
Que o terceiro imperador romano tenha sido um sanguinário, ninguém duvida. Suas famosas crises de epilepsia, porém, explicam pouco ou nada desse perfil. Para conhecê-lo, é preciso falar de suas origens familiares e do ambiente depravado que o cercava.   


A história não foi complacente com Calígula, o detentor de um reinado tão curto quanto violento no primeiro século de nossa era, em Roma. Ele permaneceu no poder de março de 37 até seu assassinato, em janeiro de 41. Foi o terceiro imperador romano, membro da dinastia júlio-claudiana, iniciada por Augusto.

A reputação de louco feroz, capaz de incríveis crueldades, foi construída ao longo de apenas quatro anos de poder, um período curto demais para fama tão arraigada, mas nada indica que ele fosse diferente do que ainda hoje se diz do personagem. O próprio nome Calígula tornou-se sinônimo de atrocidade.

Cabe, contudo, buscar a fonte primordial: a obra A vida dos doze césares, do escritor e historiador Caio Suetônio (69-c.141), que não foi contemporâneo de Calígula, mas ótimo observador dos costumes romanos. Outros historiadores, como Filo (30-50 d.C.), Josefo (37-92 d.C.) e Dião Cássio (data imprecisa do século II), também citaram o imperador em suas obras. Especificamente no caso de Calígula, Suetônio é de longe o mais influente entre os quatro, mesmo que se apontem frequentemente imperfeições em sua obra.

Para conhecer o monstro da antiga Roma, parece uma boa opção desistir de buscar refúgio atrás das crises de epilepsia de Calígula e de algumas insanidades a ele atribuídas. Doenças física e mental explicam uma parte, talvez pequena, da biografia. A outra parte passa necessariamente por sua origem familiar, o ambiente depravado no qual cresceu e, sobretudo, o estado das instituições do Império.

Até porque na Antiguidade a epilepsia simplesmente não era compreendida como hoje. Era um estigma na vida do paciente e uma mancha em sua biografia. Foi preciso que nascessem homens como os escritores Fiodor Dostoievski e Gustave Flaubert ou um teórico e político como Vladimir Lenin, todos epiléticos, para que o mundo passasse a ver a doença de outra forma. A percepção de que doença e crueldade não caminham juntas certamente nem passava pela cabeça dos historiadores antigos.


FONTE  http://www2.uol.com.br/historiaviva/

21 de abr. de 2011

FATOS, ESPECULAÇÕES E MITOS DE UMA HISTÓRIA NACIONAL



Mi.to s.m.1 relato fantástico protagonizado por seres de caráter divino ou heroico que encarnam as forças da natureza ou os aspectos gerais da condição humana; lenda, fábula. 2 crença ou tradição popular que surge em torno de algo ou alguém. 3 fig. Uma noção falsa ou não comprovada. 



Este é, segundo o dicionário Houaiss, o significado da palavra mito, mas poderia ser a definição de dois importantes nomes da História do Brasil: Pedro Álvares Cabral e Tiradentes. Sobre eles e sobre os fatos históricos dos quais fizeram parte – o Descobrimento do Brasil e a Inconfidência Mineira – há versões e mais versões. Entre o relato oficial e as muitas especulações, uma certeza: estes dois momentos e seus principais personagens foram marcantes e determinantes para a História nacional.
Para entender a relevância deles, é preciso conhecer melhor suas trajetórias. Começando pelo Descobrimento do Brasil, navegamos de volta no tempo até o século XV. Após chegar à Ilha da Madeira e ao arquipélago de Açores e de ultrapassar o cabo Bojador, os portugueses tinham, em 1481, praticamente toda a costa africana sob seu controle. Mas a primeira ligação por mar entre a Europa Ocidental e a Índia só foi estabelecida em 1497, por Vasco da Gama.

Satisfeito com a expedição de Vasco da Gama, D. Manuel, rei de Portugal, decidiu enviar uma esquadra à Índia. No comando de 13 naus e 1.500 tripulantes estava Pedro Álvares Cabral. Durante a aventura, iniciada no dia 9 de março de 1500, um motivo não explicado fez a esquadra se afastar da costa africana e chegar, no dia 22 de abril, ao Brasil. Após uma semana Cabral retomou o caminho do Oriente, mas antes enviou a Lisboa uma carta de Pero Vaz de Caminha.

Quem descobriu o Brasil?

O Brasil estava oficialmente descoberto. Mas como na História, assim como em outras ciências, toda verdade é relativa, a versão oficial vem, ao longo dos anos, sendo questionada. Alguns estudiosos acreditam que Cabral tinha instruções para afastar-se de sua rota e tomar posse do Brasil. Segundo eles, outro português tinha estado aqui anteriormente. Considerado um gênio na astronomia, geografia e navegação, Duarte Pacheco Pereira teria, supostamente, chegado ao país em novembro ou dezembro de 1498.



Mas esta não é a única especulação acerca do Descobrimento do Brasil. O navegador espanhol Vicente Pinzón também é apontado como possível descobridor. Ele teria chegado aqui dois meses antes de Cabral. Estudiosos como o britânico Gavin Menzies vão além. Segundo ele, a armada chinesa esteve no litoral brasileiro em 1421. Já o professor de Filosofia e História, Ludwig Schwennhagen, defende a ideia de que os fenícios usaram o Brasil como base durante aproximadamente 800 anos.

Se não é possível saber ao certo o que aconteceu, resta a certeza de que foi a partir da oficialização do Descobrimento do Brasil que a nação começou a se formar, mesmo que em ritmo lento. Embora em sua carta Caminha tenha dado informações sobre a região e também feito algumas prospecções sobre o potencial econômico local, somente três décadas mais tarde os portugueses iniciaram as atividades regulares de colonização no Brasil. E é aí que nossa História efetivamente começa.

A colonização do Brasil foi um processo de povoação, exploração e dominação. O objetivo da Corte portuguesa era transformar o novo território em fonte de renda. Além de definir a forma de colonização, a exploração portuguesa foi determinante para outro momento importante da História brasileira – a Inconfidência Mineira – e para a construção de mais um mito nacional – Tiradentes.



Inconfidência Mineira






A partir da metade do século XVIII, a extração de ouro em Minas Gerais entrou em declínio. O governo português, no entanto, atribuiu a queda na produção ao provável contrabando e continuava exigindo pesados tributos dos mineradores. Em 1788, Visconde de Barbacena assumiu o governo de Vila Rica e, cumprindo ordens de Lisboa, colocou em prática a derrama – cobrança dos impostos atrasados.
A medida, claro, criou um clima de revolta e levou membros da elite e da sociedade a planejar um movimento contra a Coroa, a Inconfidência Mineira. Mas Joaquim Silvério dos Reis delatou o movimento ao governador em troca do perdão de sua dívida pessoal e as ideias dos inconfidentes terminaram não saindo do papel.

A par dos planos dos inconfidentes, o governador ordenou que Joaquim Silvério seguisse os passos de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que na época estava no Rio de Janeiro, capital da Colônia. Tiradentes tentou fugir, mas acabou preso e assumiu sozinho a autoria dos planos. Condenado à forca, morreu no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro. Sua cabeça foi levada para Vila Rica e pendurada em praça pública. Começou, assim, a ser criado mais um mito nacional.

Filho de Domingos da Silva Santos, português proprietário rural, e de Antonia da Encarnação Xavier, Tiradentes trabalhou como mascate e minerador, além de ter sido sócio de uma botica em Vila Rica. Foi lá que passou a se dedicar ao exercício da profissão de dentista, que lhe valeu o apelido de Tiradentes. Foi ainda alferes do Regimento dos Dragões de Minas, e alguns estudos revelam que, neste período, passou a observar e criticar a espoliação do Brasil por portugueses.

Ao longo dos anos, a figura de Tiradentes teve diversas interpretações e por muito tempo a Inconfidência foi vista como uma revolta de pouca ou nenhuma importância. Coube aos chefes e ideólogos da campanha republicana resgatar a figura de Tiradentes e projetá-lo como o primeiro líder popular da luta pela Independência. Logo após a Proclamação da República, em 1889, Tiradentes vira oficialmente herói nacional, e em 1890, o dia de sua execução, 21 de abril, é declarado feriado nacional.

fonte http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br

 Albione Opina: O termo descobrimento expressa uma visão eurocentrica, pois estabelece a chegada de Cabral e o registro de caminha como "certidão de nascimento do Brasil". Esta versão escamoteia a existência dos povos pré-colombianos que habitavam este continente, com suas culturas e organizações sociais, produzindo suas histórias (pinturas rupestres, cerâmicas, vestígos arqueológicos etc).

Também é questionável a hipótese da chegada casual de cabral, sobretudo considerando que o tratado de Tordesilhas, aprovado desde 1494, dividindo a "América" entre Portugal e Espanha, foi estabelecido 6 anos antes da chegada de Cabral e  sua esquadra na América portuguesa. Assim a terra já conhecida apenas foi formalizada a posse em 22 de abril de 1500 por Portugal.




 

17 de abr. de 2011

O LEITOR OPINA: VITOR HUGO FERNANDES MARTINS



Caro Albione:

Muito oportuno o seu texto sobre o Museu do Lavrador de Ipiaú.
É incompreensível para todos nós que os prefeitos ipiauenses (pelo menos os dois últimos) não tenham sensibilidade para a Cultura, não é verdade? Como se a Cultura não nos fosse necessária.

A insensibilidade de José Mendonça neste aspecto é compreensível, afinal, ele não gosta de livros, conforme confessou publicamente certa vez. Mas o que dizermos de alguém que é médico, portanto, passou pela universidade, como Deraldino Araújo, e ser completamente alheio às coisas da Cultura de Ipiaú?


Por aí é que vemos como GRANDE foi Euclides Neto, não é verdade?
Conte comigo na sua empreitada cidadã e cívica por excelência.
Orgulho-me de tê-lo como amigo.


Um abraço fraterno.
VH


P.S. Segunda-feira, 18/04, na UNEB, a Prof. Ms. Ana Sayonara falará no Círculo de Leituras Euclidianas sobre VIDA MORTA, de Euclides Neto. 
(16h às 18h)

Apareça.


16 de abr. de 2011

CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO HISTÓRICO


Jurisprudência

"AÇÃO CIVIL PÚBLICA - Não se deve apagar a memória do passado. Não só em respeito aos que nela foram vida, mas para possibilitar o conhecimento de como viviam, para que da comparação com o presente, possa a sociedade atual decidir sobre seu futuro. O conjunto, a arquitetura e a vegetação em redor retratam a memória de uma época, quando nas coisas se refletia a tonalidade de um tempo. A vida passada é compreendida pelos símbolos que ficam. Por suas expressões se mergulha no pretérito. (TJSP - AC 137.765-1 - Ribeirão Preto - Rel. Des. Jorge Almeida - J. 03.04.1991) ". Fonte: http://www.direitocultural.com.br/


Configuração de Crime

Lei 9605/98 - Capitulo V - SEÇÃO IV - DOS CRIMES CONTRA O ORDENAMENTO URBANO E O PATRIMÔNIO CULTURAL

Art 62. Destruir, inutilizar ou deteriorar:
I - bem especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial;
II - arquivo, registro, museu, biblioteca, pinacoteca, instalação científica ou similar protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena é de seis meses a um ano de detenção, sem prejuízo da multa.

Art 63. Alterar o aspecto ou estrutura de edificação ou local especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial, em razão de seu valor paisagístico, ecológico, turístico, artístico, histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico ou monumental, sem autorização da autoridade competente ou em desacordo com a concedida:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

Art 64. Promover construção em solo não edificável, ou no seu entorno, assim considerado em razão de seu valor paisagístico, ecológico, artístico, turístico, histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico ou monumental, sem autorização da autoridade competente ou em desacordo com a concedida:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.

Art 65. Pichar, grafitar ou por outro meio conspurcar* [grifo nosso] edificação ou monumento urbano:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

Parágrafo único. Se o ato for realizado em monumento ou coisa tombada em virtude do seu valor artístico, arqueológico ou histórico, a pena é de seis meses a um ano de detenção, e multa.

"O direito positivo brasileiro cataloga como crime a incitação pública à pratica de qualquer fato delituoso, como também o é a apologia do crime, que se consubstancia na incitação ao crime. "


Leon Frejda Szklarowsky. Advogado e consultor jurídico em Brasília (DF), subprocurador-geral da Fazenda Nacional aposentado, editor da Revista Jurídica Consulex



13 de abr. de 2011

MUSEU DO LAVRADOR É VÍTIMA DE CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO HISTÓRICO - CULTURAL EM IPIAÚ.

Atual estado do espaço onde estão as peças do museu
                         


No ano passado a Historiadora Sandra Regina Mendes ocupou a tribuna da Câmara de Vereadores de Ipiaú  cobrando a reativação do Museu do Lavrador. Após um ano nenhuma medida de revitalização deste patrimônio histórico cultural foi iniciada pelo município de Ipiaú, ao contrário, aumentou a degradação. Os entulhos espalhados no local fazem do lugar "viveiros" de RATOS, berçarios das larvas do Aedes aegypti, (transmissor da dengue), risco constante de proliferação de doenças à vizinhança do local, situado ao lado do prédio da SAMU.  

Atual estado do espaço onde estão as peças do museu
                                

Em 2002, José Mendonça (PP), prefeito na época, em parceria com a Câmara de Vereadores, expulsou o Museu do Lavrador do prédio da Câmara Municipal, com a promessa de que seria reaberto, com manutenção adequada, em melhores condições de funcionamento para visitações, coisa que não ocorreu durante sua gestão e de Sandra Lemos, concluída em 2008.

Atual estado do espaço onde estão as peças do museu
  
Infelizmente, mesmo com o atual gestor, Deraldino Araújo (PMDB), o Museu do Lavrador continua jogado às traças. Numa cidade como Ipiaú, carente de espaços de laser, bem como de nichos de preservação da nossa história e cultura , é incompreensível o desleixo que este patrimônio histórico-cultural sofre do poder público municipal.

Pelo visto matérias como esta não estão surtindo efeito para sensibilizar as secretárias da Educação e cultura, que, supostamente, deveriam  fomentar a preservação da identidade local. 

De antemão aproveito esta matéria para lançar neste blog uma campanha em favor da revitalização e reabertura do MUSEU DO LAVRADOR, importante legado da Gestão de Hildebrando Nunes, idealizado por Euclides Neto  em homenagem aos trabalhadores rurais das roças de cacau.

Entre as medidas que iremos encampar, pontuamos a mobilização de professores, estudantes, comunidade local e virtual para apoiar abaixo assinados em favor da restauração e abertura do Museu do Lavrador em Ipiaú, que será encaminhado em anexo com Representação ao Ministério Público.


Parte do acervo do Museu do Lavrador

                                  

Parte do acervo do Museu do Lavrador
                               

obs. deixem seus comentários sobre a importância de termos reaberto  à comunidade o Museu do Lavrador. Vote em nossa enquete! 



1 de abr. de 2011

1982: MEUS 10 ANOS



Desde muito criança, ainda no colo dos meus pais, acompanhava as discussões políticas e campanhas eleitorais em Ipiaú. Em 1977, com 5 anos de idade, acompanhei a eleição que elegeu o José Borges de Barros Junior (Zequinha Borges), pelo Movimento Democrático Brasileiro- MDB.


 Durante o mandato de Zequinha Borges, ele se desfiliou do MDB, entrando para Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido que representava o governo militar durante a ditadura militar. Na eleição municipal seguinte,  em 1982, Hildebrando Nunes foi eleito prefeito de Ipiaú pelo PMDB. Neste mesmo ano, período de copa do mundo, primeira que acompanhei pela TV, ocorriam as eleições municipais para prefeitos e vereadores, garantia de muita festa e diversão, atraindo as atenções duma criança do interior que "abria os olhos para o mundo". Neste mesmo ano ingressei no Grupo de Escoteiros Davi de Souza, estava ainda na condição de “Lobinho” era uma espécie de patente inferior, para os mais novos, antes de chegar a ser escoteiro.

 Em um belo dia o chefe do grupo soube que eu havia deixado a reunião dos escoteiros para ir a um comício. Não deu outra, fui chamado a me explicar e repreendido a não ir para aquele lugar onde tinham pessoas criticando o governo. Mesmo não entendo bem o contexto daquela bronca, coisas das ditaduras, resolvi me afastar do grupo antes mesmo de chegar a escoteiro, mas  aprendi que deveria ficar sempre alerta. 


Como 1982 era ano de copa do mundo de futebol, divertia-me muito com a seleção canarinho, alcunha feita através duma música de autoria de Júnior, ex-jogador do flamengo, em homenagem a seleção brasileira na copa da Espanha. Boas lembranças do Flamengo na década de 1980, me proporcionando indescritíveis felicidades na década de 1980. Bons tempos da geração do Zico; nos Inspirávamos nele. Era emocionante assistirmos seus gols, antes da exibição da matinê,  no telão do Cine Éden na Praça Rui Barbosa.


Voltando às eleições, após os comícios, realizados em caminhões, ocorria sempre uma caminhada embalada pelas charangas, mini-filarmônicas, cantando marchinhas, exaltando as qualidades dos candidatos e seus partidos. Eram campanhas modestas, cheia de mística e superstições: iniciar a campanha na "Barroquinha", atual Praça do Cinquentenário, era vitória certa...  beiravam a ingenuidade!; muito diferente de hoje com seus marqueteiros e laboratórios com “suas fórmulas infalíveis” do vale tudo pelo voto, toma lá da cá. Atualmente prevalece os altíssimos gastos de campanhas motivadas pelos "olhos gordos" na galinha dos ovos de ouro  ou nas tetas da vaca leiteira, almejadas pelos aventureiro sedentos por receberem as senhas de acesso à gestão pública. 


Quem se lembra? de um lado garranchos, com seus gravetos de madeira carregados pelas mãos da garranchada, denominação do séquito do MDB em Ipiaú, gente da camada popular, ingressando na política institucional, candidatando-se a vereador; eram pedreiros, carpinteiros, taxistas, encanadores, lavadeiras de roupa, domésticas, corretores, ambulantes, etc. 

Do outro lado, a antiga ARENA já batizada PDS. No Partido Democrático Social o critério para participar das suas fileiras era a posição social destacada e influências junto aos representantes dos militares, aqueles que eram apadrinhados com os contratos para os cargos públicos, escolhidos a dedo sem concursos. Isso, como um prisão, gerando a obrigação da retribuição eleitoral... vozes que ecoavam um sonoro "TÔ COM ELE E NÃO ABRO", puro puxa-saquismo, enquanto durasse o benefício.

 Mesmo sem entender quase nada de política, ouvia minha mãe (D. Ivone) dizer que não iria lecionar na rede estadual, pois  os contratos eram passados apenas para os partidários da ARENA, para os membros do seu "curral eleitoral"; como meu pai (Alberto do Táxi) era do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) antigo MDB (Movimento Democrático Brasileiro), chegando a ser até suplente de vereador, após disputar a segunda eleição para o cargo, então minha madre não conseguiria lecionar para o estado, há menos que meu pai “virasse a casaca”, mudando para o partido do governo, coisa que não ocorreu.


Guardo muito bem na memória as primeiras caminhadas de liberdade pelas ruas desconhecidas da periferia de Ipiaú, no início da década de 1980, precisamente em 1982, quando eu corria atrás dos carros volantes de som, iluminados e bem acompanhados por crianças que, como eu na época, seguiam construindo a liberdade possível como forma mais  acessível de participação política.



  Albione Souza - Historiador.
Ipiaú-BA, 1º de abril de 2011.


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